O lugar ético da religião
O bispo Carlos Azevedo escreve hoje, no Página 1, jornal digital da Renascença, o texto seguinte:
As comunidades religiosas têm lugar numa sociedade democrática e plural. O seu lugar é no campo da esfera pública, com separação da instituição estatal, lugar distinto da sociedade civil, ainda que no seu interior.
As convicções morais não pautam apenas a religiosidade da pessoa. As religiões, pela critica e pela legitimação da democracia que desenvolvem, prestam um serviço de participação sócio-politica. Servir cada País como consciência crítica, com voz forte, fora dos poderes é lugar da religião. É saudável que a ética religiosa saia do privado e sustente concepções alternativas de justiça, bem comum, solidariedade, interesse público.
As Igrejas e comunidades e suas hierarquias têm direito e dever de exprimir e organizar-se publicamente para dizer o que do seu ponto de vista é justo e errado, o que é eticamente importante ou não é, quais são os valores e quais não são.
Todos devem contribuir com a sua ideia de vida feliz como proposta à liberdade do outro, de modo a que o povo decida a via melhor, em dinamismo dialogal entre todos, na recíproca narração da própria subjectividade pessoal e social.
O Estado beneficiará da vitalidade das religiões, reconhecendo a presença de visões várias, entre as quais assume importante lugar a religião. São um espaço cultural profundo, no qual renovar a base moral da própria identidade, os valores fundantes, os signifi cados últimos do próprio agir.
O historiador Paolo Prodi previne: “ou a Europa possui a capacidade revolucionária de projectar sobre esta base um pacto constitucional que seja capaz de manter e reinventar os princípios da responsabilidade pessoal, da liberdade e da democracia na era da globalização, ou terminou o seu ciclo vital e está destinada, também defendendo ou conquistando um seu espaço geo-politico, a ser absorvida nos novos blocos politico-sacrais em que se entrevê o choque das civilizações.”(La storia dell’Europa come rivoluzione permanente. In Il Mulino 3 (2007).
Cancelar a fé em Deus acaba por retirar fundamento à ética. Há um património ético-moral que a democracia deve à religião. Não basta a razão. O mal ou o bem são reais. As escolhas morais não se podem justificar a nível racional. Há necessidade de acreditar, de confi ar. A Europa, onde se vive mais o secularismo, não terá futuro se deixar que as regras de comportamento sejam pensadas ou justifi cadas com base na utilidade.
(Crédito da foto: Nuno Ferreira Santos / Público)
As comunidades religiosas têm lugar numa sociedade democrática e plural. O seu lugar é no campo da esfera pública, com separação da instituição estatal, lugar distinto da sociedade civil, ainda que no seu interior.As convicções morais não pautam apenas a religiosidade da pessoa. As religiões, pela critica e pela legitimação da democracia que desenvolvem, prestam um serviço de participação sócio-politica. Servir cada País como consciência crítica, com voz forte, fora dos poderes é lugar da religião. É saudável que a ética religiosa saia do privado e sustente concepções alternativas de justiça, bem comum, solidariedade, interesse público.
As Igrejas e comunidades e suas hierarquias têm direito e dever de exprimir e organizar-se publicamente para dizer o que do seu ponto de vista é justo e errado, o que é eticamente importante ou não é, quais são os valores e quais não são.
Todos devem contribuir com a sua ideia de vida feliz como proposta à liberdade do outro, de modo a que o povo decida a via melhor, em dinamismo dialogal entre todos, na recíproca narração da própria subjectividade pessoal e social.
O Estado beneficiará da vitalidade das religiões, reconhecendo a presença de visões várias, entre as quais assume importante lugar a religião. São um espaço cultural profundo, no qual renovar a base moral da própria identidade, os valores fundantes, os signifi cados últimos do próprio agir.
O historiador Paolo Prodi previne: “ou a Europa possui a capacidade revolucionária de projectar sobre esta base um pacto constitucional que seja capaz de manter e reinventar os princípios da responsabilidade pessoal, da liberdade e da democracia na era da globalização, ou terminou o seu ciclo vital e está destinada, também defendendo ou conquistando um seu espaço geo-politico, a ser absorvida nos novos blocos politico-sacrais em que se entrevê o choque das civilizações.”(La storia dell’Europa come rivoluzione permanente. In Il Mulino 3 (2007).
Cancelar a fé em Deus acaba por retirar fundamento à ética. Há um património ético-moral que a democracia deve à religião. Não basta a razão. O mal ou o bem são reais. As escolhas morais não se podem justificar a nível racional. Há necessidade de acreditar, de confi ar. A Europa, onde se vive mais o secularismo, não terá futuro se deixar que as regras de comportamento sejam pensadas ou justifi cadas com base na utilidade.
(Crédito da foto: Nuno Ferreira Santos / Público)

