Uma grave crise alimentar está a assolar o mundo
SOMOS A PRIMEIRA GERAÇÃO QUE PODE ERRADICAR A POBREZA
– Bruno G. M. Neto Coordenador de Programa Pobreza Zero
Rua de Santiago nº9 1100-493 Lisboa T 21 882 36 30
– Bruno G. M. Neto Coordenador de Programa Pobreza Zero
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As comunidades religiosas têm lugar numa sociedade democrática e plural. O seu lugar é no campo da esfera pública, com separação da instituição estatal, lugar distinto da sociedade civil, ainda que no seu interior.
As convicções morais não pautam apenas a religiosidade da pessoa. As religiões, pela critica e pela legitimação da democracia que desenvolvem, prestam um serviço de participação sócio-politica. Servir cada País como consciência crítica, com voz forte, fora dos poderes é lugar da religião. É saudável que a ética religiosa saia do privado e sustente concepções alternativas de justiça, bem comum, solidariedade, interesse público.
As Igrejas e comunidades e suas hierarquias têm direito e dever de exprimir e organizar-se publicamente para dizer o que do seu ponto de vista é justo e errado, o que é eticamente importante ou não é, quais são os valores e quais não são.
Todos devem contribuir com a sua ideia de vida feliz como proposta à liberdade do outro, de modo a que o povo decida a via melhor, em dinamismo dialogal entre todos, na recíproca narração da própria subjectividade pessoal e social.
O Estado beneficiará da vitalidade das religiões, reconhecendo a presença de visões várias, entre as quais assume importante lugar a religião. São um espaço cultural profundo, no qual renovar a base moral da própria identidade, os valores fundantes, os signifi cados últimos do próprio agir.
O historiador Paolo Prodi previne: “ou a Europa possui a capacidade revolucionária de projectar sobre esta base um pacto constitucional que seja capaz de manter e reinventar os princípios da responsabilidade pessoal, da liberdade e da democracia na era da globalização, ou terminou o seu ciclo vital e está destinada, também defendendo ou conquistando um seu espaço geo-politico, a ser absorvida nos novos blocos politico-sacrais em que se entrevê o choque das civilizações.”(La storia dell’Europa come rivoluzione permanente. In Il Mulino 3 (2007).
Cancelar a fé em Deus acaba por retirar fundamento à ética. Há um património ético-moral que a democracia deve à religião. Não basta a razão. O mal ou o bem são reais. As escolhas morais não se podem justificar a nível racional. Há necessidade de acreditar, de confi ar. A Europa, onde se vive mais o secularismo, não terá futuro se deixar que as regras de comportamento sejam pensadas ou justifi cadas com base na utilidade.
(Crédito da foto: Nuno Ferreira Santos / Público)
La leçon de “réforme” du cardinal Martini à son Eglise:
Présenté comme son “testament spirituel” par le quotidien italien La Repubblica du 19 mai - qui en publie de larges extraits -, le dernier ouvrage du cardinal Carlo-Maria Martini, 81 ans, risque de susciter des réactions au sommet de l’Eglise catholique. D’abord, en raison de la personnalité de son auteur, jésuite et exégète brillant, ancien archevêque de Milan qui, lors du conclave romain d’avril 2005 qui désigna Benoît XVI, avait recueilli les suffrages de la minorité progressiste des cardinaux.
Intitulé Conversations nocturnes à Jérusalem - la Ville sainte où le cardinal Martini s’était retiré, avant de rentrer en Italie pour raison de santé -, ce livre d’entretiens avec le Père Georg Sporschill, un ami jésuite, publié en Allemagne aux éditions Herder, appelle l’Eglise à avoir le “courage” de se réformer. Son ton est apaisé et lucide : “J’ai rêvé, confesse-t-il, d’une Eglise pauvre et humble qui ne dépende pas des puissances de ce monde. Une Eglise qui donne du courage à ceux qui se sentent petits ou pécheurs.”
(Foto: El País)
começou uma guerra enorme. Morreu em Auschwitz, a 30 de Novembro de 1943, quando começava o princípio do fim de outra guerra ainda mais enorme. Pouco antes de fazer 30 anos. Não chegou a viver três meses no campo para onde a levaram a 7 de Setembro. Muitas vezes o tinha profetizado. Antes dela, morreram os pais, ou durante a viagem, ou conduzidos directamente à câmara de gás quando chegaram. Mikael (Mischa) o irmão mais novo, que era pianista, gostava de Schubert e de Mozart, por lá ficou também a 31 de Março de 1944, aos 24 anos. Um outro irmão morreu em Abril de 1945, em Bergen-Belsen. Uma das muitas famílias judias inteiramente exterminadas pela “solução final”.2. “Como uma melodia, o mundo rola das mãos de Deus”. Estes versos de Verwey [Albert Verwey (1865-1937) poeta holandês, amigo de Stefan George] não me saíram da cabeça todo o dia. Quem me dera “rolar melodicamente das mãos de Deus”.
3. “Devia bastar que houvesse um só homem digno desse nome, para se acreditar na humanidade ( … ) Mesmo que houvesse um só alemão decente, por causa dele perdias o direito a odiar um povo inteiro ( … ) O ódio indiferenciado é a pior coisa que existe. É uma doença da alma”.
4. “Aprendi hoje algo de essencial. Quando achava bonita uma flor, o que eu mais desejava era apertá-la contra o peito ou comê-la. Era mais difícil com uma bonita paisagem, mas o sentimento era o mesmo. Eu era sensual demais, demasiado “possessiva”. Tudo o que me parecia bonito queria-o de forma exageradamente física, queria possuí-lo. Por isso tinha sempre uma dolorosa sensação de desejo que nunca podia ser satisfeita, uma nostálgica aspiração a qualquer coisa que me parecia inacessível, a que eu chamava “instinto criador” (…) De repente, tudo mudou (…) Verifiquei com alegria que o mundo que Deus criou continua belo (…) Como sempre, esta paisagem silenciosa, tão misteriosa à hora do crepúsculo, deu-me sentimentos tão fortes como dantes, mas vi-a, digamos assim, “objectivamente”. Já não a queria “possuir”, já não me sentia incitada ao onanismo”.
5. “Creio que vou ser capaz. De manhã, antes de começar a trabalhar, passar meia hora a ouvir-me a mim própria, a voltar-me “para dentro”. “Submergir-me”. Também podia dizer: meditar. Mas esse verbo ainda me assusta um bocado (…) Uma “hora silenciosa” não é fácil de conseguir. Tem que se aprender a consegui-la (…) O objectivo da meditação é, cá dentro, uma pessoa transformar-se numa planície grande e vasta, sem o matagal manhoso que não nos deixa ver. Deixar entrar um pouco de “Deus” em nós, como existe um pouco de “Deus” na Nona de Beethoven”.
6. “Mais prisões outra vez. Outra vez o terror, os campos de concentração, pais, irmãs e irmãos arbitrariamente arrancados dos seus. Uma pessoa procura o sentido da vida e pergunta-se mesmo se ela terá algum sentido. Mas isso é coisa que temos de decidir sózinhos e com Deus. Talvez cada vida tenha um sentido próprio e seja precisa a vida inteira para o encontrar”.
7. “Tudo é coincidência ou nada é coincidência. Se eu acreditasse na primeira hipótese, não conseguia viver. Mas ainda não estou convencida da segunda”.
8. “Enorme agitação. Agitação bizarra, diabólica, que talvez fosse produtiva se a soubesse utilizar. Uma agitação “criadora”. Nada a ver com agitações do corpo, nem uma dúzia de noites de amor tórrido a conseguiriam pacificar. É uma agitação quase “sagrada”. Oh Deus, toma-me na Tua grande mão e torna-me Teu instrumento, faz-me escrever”.
9. “É difícil estar ao mesmo tempo de bem com Deus e com o baixo-ventre”.
10. “As minhas ideias continuam a parecer roupas largas demais, penduradas à volta do meu corpo. O corpo ainda vai crescer, mas os vestidos continuam a ser tamanhões”.
11. “Um poema de Rilke é tão real e tão importante como um rapaz que cai de um avião. Que isto fique bem claro”.
12. “Dentro de mim, há um poço fundíssimo. Lá dentro está Deus. Às vezes consigo lá chegar. Mas o mais frequente é o poço estar cheio de pedra e cascalho e Deus soterrado. Então é preciso desenterrá-lO”.
13. “Senhor, dá-me sabedoria e não conhecimentos. Ou dá-me conhecimentos que levem à sabedoria”.
14. “Pôr a cabeça no ar é possível. Mas pôr o ar na cabeça já não é”.
15. “Procurar em algumas palavras o abrigo para aquilo que há em mim. Mas ainda não há palavras que me queiram abrigar”.
16. “Medo da vida a todo o comprimento”.
17. “A rapariga que não conseguia ajoelhar-se e que afinal aprendeu a fazê-lo no tapete áspero de fibra de coco de uma casa de banho desarrumada. Mas estas coisas são ainda mais íntimas do que as coisas sexuais”.
18. “Meu Deus, pega-me pela mão. (…) Gosto de me sentir abrigada e segura, mas se for deixada ao relento, aceitá-lo-ei, se for a Tua mão que me deixar. Hei-de acompanhar-Te sempre guiada pela Tua mão e tentarei não ter medo”.
19. “Ontem à noite, pouco antes de me ir deitar, dei por mim, de repente, ajoelhada na alcatifa, no meio desta grande sala, entre as cadeiras de metal. Assim. Sem mais nem menos. Puxada para o chão por algo mais forte do que eu. Faz tempo, tinha dito de mim para mim: “Vou ver se consigo ajoelhar-me”. Tinha ainda muita vergonha desse gesto tão íntimo como os gestos do amor, todos gestos de que ninguém consegue falar. A não ser um poeta (…) A força criadora é, afinal de contas, uma parte de Deus. As pessoas precisam é de ter a coragem de o dizer (…). Estas palavras acompanharam-me semanas a fio. É preciso é ter a coragem de o dizer. A coragem de pronunciar o nome de Deus”.
20. “A mãe que, a certa altura, disse: “Pois é. Na verdade sou religiosa”. A Tia Piet disse há dias quase o mesmo, aqui em frente da lareira: “Na verdade sou religiosa”. O cerne está nesse “na verdade” (…) O que querem elas dizer com esse “na verdade”"?
21. “”Mas o que é que acontece às pessoas para quererem destruir os outros?” perguntou-me Jan amargurado. Disse-lhe: “As pessoas, pois, as pessoas. Mas lembra-te que tu também és uma delas (…) A maldade dos outros também está dentro de nós (…) Não acredito que se possa melhorar alguma coisa no mundo exterior se não começamos por nos melhorar a nós. Essa parece-me ser a única lição desta guerra. Aprender a procurá-lo dentro de nós e em mais parte nenhuma”".
22. “Quando uma pessoa tem vida interior, talvez não haja uma diferença tão grande como tudo isso entre estar fora ou dentro dos muros de um campo. Será que conseguirei justificar estas palavras, mais tarde, a mim própria? Será que as conseguirei pôr em prática? Não devemos ter ilusões. A vida vai ser muito dura. Hão-de nos separar, hão-de me separar de todos os que me são queridos. Creio que esse tempo já nem está muito distante”.
23. “Às vezes é quase impossível aceitar e entender, Deus, o que as Tuas imagens e semelhanças andam a fazer umas às outras, neste mundo e neste tempo de excessos (…) Mas eu encaro o Teu mundo olhos nos olhos, Deus, e não me refugio em sonhos belos (…) Apesar de tudo, continuo a louvar a Tua criação, Deus!”
24. “Não é Deus que nos deve explicações. Nós é que lhas devemos a Ele. Sei o que ainda nos pode esperar (…) Deus não nos deve explicações pelas coisas sem sentido que fazemos. Somos nós quem tem que dar explicações. Já morri mil mortes em mil campos de concentração, sei de tudo, nada novo me pode angustiar. De uma forma ou de outra, sei de tudo. Mas porém acho que esta vida é bela e plena de sentido. A cada instante.”
25. “E eu creio em Deus, mesmo quando daqui a pouco os piolhos me devorarem na Polónia”.
26. “Quando hoje caminhava pelos corredores a abarrotar, senti, de repente, uma enorme necessidade de me ajoelhar ali, no chão de pedra, no meio de toda a gente. O único gesto de dignidade humana que ainda nos resta neste tempo, é ajoelhar perante Deus”.
27. “E se Deus não me ajudar mais, nesse caso hei-de eu ajudar Deus”.
Comment chrétiens et musulmans parlent-ils de Dieu ?
Source : Service national pour les Relations avec l’Islam (France, Févr. ‘08)
D’emblée, un aspect s’impose : christianisme et islam (auquel il faudrait ajouter le judaïsme) sont des religions monothéistes. Le credo chrétien commence par ces mots : « Je crois en un seul Dieu » et les musulmans déclarent : « Pas d’autre dieu que Dieu » (Allah). Le décret du concile Vatican II sur les religions non chrétiennes déclare « l’Eglise regarde avec estime les musulmans qui adorent le Dieu un, vivant et subsistant, miséricordieux et tout-puissant, créateur du ciel et de la terre, et qui a parlé aux hommes » (Nostra aetate n° 3).
1. Il convient d’emblée de préciser de quel point de vue nous parlons de Dieu. S’il s’agit de Dieu avec lequel la créature humaine est en relation par l’acte de foi, la prière, le désir d’accomplir sa volonté, de lui plaire et même de l’aimer (ce qui est vrai dans le courant mystique de l’islam), en tant qu’entité éternelle, créatrice, bienveillante … christianisme et islam peuvent se reconnaître sans trop de difficulté. De même, une approche métaphysique révèle de nombreuses similitudes.
Mais une convergence aussi apparente, soulignée par le choix des qualificatifs que retient le Concile, ne peut pas laisser dans l’ombre des différences et même des oppositions radicales. La façon dont chrétiens et musulmans parlent de Dieu est très différente.
- L’islam insiste très fortement sur l’unicité de Dieu et ne peut pas accepter la révélation du christianisme portant sur le fait que Dieu est Père, Fils et Esprit. La notion de Trinité n’est pas comprise. Elle est refusée au nom du rejet du polythéisme. Le texte du Coran est généralement compris par la tradition musulmane pour estimer que les chrétiens ont altéré, voire falsifié les Ecritures bibliques pour leur faire affirmer la Trinité (Coran 4,171 ; 5,116).
- Non seulement, il ne peut pas y avoir plusieurs personnes en Dieu, mais encore il ne peut pas y avoir d’incarnation. Celle-ci, pour l’islam, est une atteinte à la transcendance de Dieu. En effet, l’islam estime que Dieu est très proche de l’être humain, mais également d’une nature totalement différente de lui. Les musulmans refusent « d’associer » toute créature à Dieu. Il n’est donc ni possible ni sérieux d’affirmer qu’un être puisse être vrai Dieu et vrai homme (Coran 3,59 ; 5,72 ; 43,59).
Il faut bien dire que l’impression qui émane d’une lecture du Coran par les chrétiens est que son information concernant le christianisme est très pauvre et bien souvent inexacte.
- Le Coran refuse la mort de Jésus sur la croix. En réalité, dit-il, la crucifixion de Jésus fut pour les témoins de la scène une apparence ou une illusion (certains commentateur parleront plus tard d’un sosie qui aurait été crucifié à la place de Jésus, que Dieu a élevé auprès de lui). De ce fait, il n’y a plus de salut qui vienne par le Christ Jésus (Coran 4,157-159). Celui-ci est seulement un grand prophète, né de la Vierge Marie, qui est venu apporter aux hommes l’Évangile, un message provenant réellement de Dieu, mais qui a été déformé par les chrétiens. Jésus est donc un simple homme.
Pour l’islam, Jésus étant prophète, subit normalement des épreuves, mais puisqu’il est vraiment un envoyé de Dieu, il ne peut connaître d’échec final.
- L’islam ignore toute médiation et rejette ce qui lui semble être un obstacle entre Dieu et les hommes alors que pour le christianisme le salut est donné par le Christ, le seul médiateur entre Dieu et les hommes.
- Pour l’islam comme pour le christianisme, Dieu parle aux hommes et il existe des Écritures saintes. Mais les conceptions de la révélation sont très différentes : le Coran est le fruit d’une dictée de Dieu à Mohammed, il est la parole de Dieu telle que Dieu lui-même l’exprime et la prononce. On ira jusqu’à dire que le Coran est éternel et incréé. Mais cette position majoritaire est, aujourd’hui, l’objet de débats parmi les savants et croyants musulmans. Certains, parmi eux, n’hésitent pas à parler d’interprétation du Coran. Pour les chrétiens, c’est Dieu qui a inspiré les auteurs bibliques qui ont rédigé les livres de la Bible en se servant des mots et des formes littéraires de leur temps.
- Pour les musulmans, les affirmations du Coran ont l’autorité de la Parole de Dieu. De ce fait, le dialogue dogmatique est rendu bien difficile sur ces questions essentielles. Sans ignorer ces différences fondamentales, il faut noter que le dialogue est possible sur d’autres domaines de la foi, comme la prière, la vie morale, la création, le sens de l’homme …
2. Il convient d’approfondir cette question en relevant avec soin des points d’appui pour un vrai dialogue. Vatican II a cette phrase : « Le dessein de salut enveloppe également ceux qui reconnaissent le Créateur, en tout premier lieu les musulmans qui professent avoir la foi d’Abraham, adorent avec nous le Dieu unique, miséricordieux, futur juge des hommes au dernier jour » (Lumen gentium n° 16).
Cette phrase du Concile utilise l’expression « adorent avec nous », ce qui montre une relation réelle entre les croyants tournés ensemble vers le Dieu Créateur. Les points communs sont soulignés également dans cette citation lorsqu’elle indique un certain nombre de caractéristiques dans lesquelles chrétiens et musulmans peuvent se retrouver.
Notre perception du mystère de Dieu n’est pas la même. Pour les chrétiens, l’incarnation du Fils de Dieu a transformé les choses : « Dieu, personne ne l’a jamais vu, le Fils Unique qui est tourné vers le sein du Père, nous l’a fait connaître » (Jean 1,18).
Le dialogue théologique portant sur Dieu se construit dans un climat dans lequel on se livre personnellement dans son intimité. Il demande de la sympathie entre les interlocuteurs. Mais il exige en même temps une réelle clarté de l’identité de la foi chrétienne. Ce que le Christ nous a fait connaître de Dieu est d’une exceptionnelle richesse : contempler la Trinité et en parler, c’est montrer comment elle est la source de notre vie spirituelle et de notre manière de nous comporter.
Il est bon de renvoyer à l’allocution du Pape Jean-Paul II à Casablanca pour de jeunes musulmans, le 19 août 1985 (voir DC 1985, pp. 942-946). En voici quelques extraits : « Je crois que nous, chrétiens et musulmans, nous devons reconnaître avec joie les valeurs religieuses que nous avons en commun et en rendre grâce à Dieu. Les uns et les autres, nous croyons en un Dieu, le Dieu unique, qui est toute justice et miséricorde ; nous croyons à l’importance de la prière, du jeûne et de l’aumône, de la pénitence et du pardon ; nous croyons que Dieu nous sera un juge miséricordieux à la fin des temps et nous espérons qu’après la résurrection, il sera satisfait de nous et nous savons que nous serons satisfaits de lui. La loyauté exige aussi que nous reconnaissions et respections nos différences. La plus fondamentale est évidemment le regard que nous portons sur la personne et l’œuvre de Jésus de Nazareth. Vous savez que, pour les chrétiens, ce Jésus les fait entrer dans une connaissance intime du mystère de Dieu et dans une communion filiale à ses dons, si bien qu’ils le reconnaissent et le proclament Seigneur et Sauveur. Ce sont là des différences importantes, que nous pouvons accepter avec humilité et respect, dans la tolérance mutuelle ; il y a là un mystère sur lequel Dieu nous éclairera un jour, j’en suis certain » (p. 945).
Enfin, dans son récent voyage apostolique en Turquie, le Pape Benoît XVI a déclaré aux responsables des affaires religieuses du pays : « Le Pape Grégoire VII parlait de la charité spéciale que se doivent réciproquement les chrétiens et les musulmans puisque « nous croyons et nous confessons un seul Dieu, même si nous le faisons de manières diverses, chaque jour le louant et le vénérant comme créateur des siècles et souverain de ce monde » (Patr. Latine, 148, 451 – cf. D.C. 2007 p. 12).
† Pierre-Marie CARRÉ
Président de la Commission doctrinale
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
No curso das catequeses sobre os Padres da Igreja, quero falar hoje de uma figura sumamente misteriosa: um teólogo do século VI, cujo nome é desconhecido, que escreveu sob o pseudônimo Dionísio Areopagita. Com este pseudônimo ele aludia à passagem da Escritura que acabamos de escutar, ou seja, o caso narrado por são Lucas no capítulo XVII dos Atos dos Apóstolos, onde se narra que Paulo pregou em Atenas, no Areópago, dirigindo-se a uma elite do mundo intelectual grego, mas ao final a maior parte dos que o escutavam não se mostrou interessada e se afastou ridicularizando-o; contudo, alguns, poucos, segundo nos diz São Lucas, aproximaram-se de Paulo, abrindo-se à fé. O evangelista nos revela dois nomes: Dionísio, membro do Areópago, e uma mulher chamada Damaris.
Se o autor desses livros escolheu cinco séculos depois o pseudônimo de Dionísio Areopagita, quer dizer que tinha a intenção de pôr a sabedoria grega ao serviço do Evangelho, promover o encontro entre a cultura e a inteligência grega com o anúncio de Cristo; queria fazer o que pretendia aquele Dionísio, ou seja, que o pensamento grego se encontrasse com o anúncio de São Paulo, sendo grego, queria ser discípulo de São Paulo e deste modo discípulo de Cristo.
Por que escondeu seu nome e escolheu esse pseudônimo? Uma parte da resposta já se deu: queria expressar esta intenção fundamental de seu pensamento. Mas há duas hipóteses sobre este anonimato e sobre seu pseudônimo. Segundo a primeira, tratava-se de uma falsificação, através da qual, fechando suas obras no primeiro século, em tempos de São Paulo, queria dar à sua produção literária uma autoridade quase apostólica. Mas há uma hipótese melhor que esta – que me parece pouco crível: queria fazer um ato de humildade. Não queria dar glória a seu Evangelho, criar uma teologia eclesial, não individual, baseada em si mesmo. Na verdade, conseguiu elaborar uma teologia que certamente podemos datar no século VI, mas não a podemos atribuir a uma das figuras dessa época: é uma teologia um pouco “desindividualizada”, ou seja, uma teologia que expressa um pensamento e uma linguagem comuns. Eram tempos de acérrimas polêmicas após o Concílio de Calcedônia; ele, pelo contrário, em sua Sétima Epístola, diz: «Não quero fazer polêmica; falo simplesmente da verdade, busco a verdade». E a luz da verdade por si mesma faz que caiam os erros e que resplandeça o que é bom. E com este princípio purificou o pensamento grego e o pôs em relação com o Evangelho. Este princípio, que ele afirma em sua sétima carta, é também expressão de um verdadeiro espírito de diálogo: não se trata de buscar as coisas que separam; deve-se buscar a verdade na própria Verdade; esta, depois, resplandece e faz que caiam os erros.
Portanto, apesar de que a teologia desse autor é, por assim dizer, «suprapessoal», realmente eclesial, podemos enquadrá-la no século VI. Por quê? O espírito grego, que pôs ao serviço do Evangelho, foi encontrado nos livros de um certo Prócolo, falecido no ano 485 em Atenas: este autor pertencia ao platonismo tardio, uma corrente de pensamento que havia transformado a filosofia de Platão em uma espécie de religião, cujo objetivo ao final consistia em criar uma grande apologia do politeísmo grego e voltar, após o êxito do cristianismo, à antiga religião grega. Queria demonstrar que, na realidade, as divindades eram as forças do cosmos. A conseqüência era que deveria considerar-se como mais verdadeiro o politeísmo que o monoteísmo, com um só Deus criador. Prócolo apresentava um grande sistema cósmico de divindades, de forças misteriosas, segundo o qual, neste cosmos deificado, o homem podia encontrar acesso à divindade. Pois bem, para uma distinção entre os caminhos dos simples – os que não eram capazes de elevar-se aos cumes da verdade, para quem certos ritos podiam ser suficientes –, dos caminhos dos sábios, que pelo contrário deviam purificar-se para chegar à luz pura.
Como se pode ver, este pensamento é profundamente anticristão. É uma reação tardia contra a vitória do cristianismo. Uma forma anticristã de Platão, enquanto já acontecia uma leitura cristã do grande filósofo. É interessante que o Pseudo-Dionísio tenha se atrevido a servir-se precisamente deste pensamento para mostrar a verdade de Cristo: transformar este universo politeísta em um cosmo criado por Deus, na harmonia do cosmo de Deus, onde todas as forças são louvor de Deus, e mostrar esta grande harmonia, esta sinfonia do cosmos que vai desde os serafins aos anjos e arcanjos, até o homem e a todas as criaturas, que juntas refletem a beleza de Deus e são louvores a Deus. Transformava assim a imagem politeísta em um elogio do Criador e de sua criatura. Deste modo, podemos descobrir as características essenciais de seu pensamento: antes de tudo, é um louvor cósmico. Toda a criação fala de Deus e é um elogio de Deus. Sendo a criatura um louvor de Deus, a teologia do Pseudo-Dionísio se converte em uma teologia litúrgica: Deus se encontra sobretudo louvando-o, não só refletindo; e a liturgia não é algo construído por nós, algo inventado para fazer uma experiência religiosa durante um certo período de tempo; consiste em cantar com o coro das criaturas e em entrar na mesma realidade cósmica. E assim a liturgia, aparentemente só eclesiástica, torna-se ampla e grande, une-nos à linguagem de todas as criaturas. Diz: não se pode falar de Deus de maneira abstrata; falar de Deus é sempre – diz com a palavra grega –, um «hymnein», um elevar hinos para Deus com o grande canto das criaturas, que se reflete e concretiza no louvor litúrgico.
Contudo, ainda que sua teologia seja cósmica, eclesial e litúrgica, também é profundamente pessoal. Creio que é a primeira grande teologia mística. E mais, a palavra «mística» adquire com ele um novo significado. Até essa época, para os cristãos, esta palavra era equivalente à palavra «sacramental», ou seja, o que pertence ao «mysterium», sacramento. Com ele, a palavra «mística» se torna mais pessoal, mais íntima; expressa o caminho da rumo a Deus. E como é possível encontrar Deus? Aqui observamos novamente um elemento importante em seu diálogo entre filosofia grega e cristianismo, em particular a fé bíblica. Aparentemente, o que diz Platão e o que diz a grande filosofia sobre Deus é muito mais elevado, muito mais verdadeiro; a Bíblia parece bastante «bárbara», simples, pré-crítica, diríamos hoje; mas ele observa que precisamente isso é necessário para que deste modo possamos compreender que os conceitos mais elevados sobre Deus não chegam nunca até sua autêntica grandeza; são sempre impróprios.
Estas imagens nos fazem compreender, na realidade, que Deus está acima de todos os conceitos; na simplicidade das imagens, encontramos mais verdade que nos grandes conceitos. O rosto de Deus é nossa incapacidade para expressar realmente o que é. Deste modo fala – diz o próprio Pseudo-Dionísio – de uma «teologia negativa». É mais fácil dizer o que Deus não é, que expressar o que é realmente. Só através destas imagens podemos adivinhar seu verdadeiro rosto e, por outra parte, este rosto de Deus é muito concreto: é Jesus Cristo. E ainda que Dionísio nos mostre, seguindo a Prócolo, a harmonia dos coros celestes, de maneira que parece que todos dependem de todos, é verdade que nosso caminho para Deus fica muito longe d’Ele; o Pseudo-Dionísio demonstra que ao final o caminho para Deus é Deus mesmo, que se faz próximo de nós em Jesus Cristo.
Deste modo, uma grande e misteriosa teologia se torna também muito concreta, seja na interpretação da liturgia, seja na reflexão sobre Jesus Cristo: com tudo isso, Dionísio Areopagita teve uma grande influência em toda a teologia medieval, em toda a teologia mística, tanto do Oriente como do Ocidente; foi quase redescoberto no século XIII sobretudo por São Boaventura, o grande teólogo franciscano que nesta teologia mística encontrou o instrumento conceitual para interpretar a herança tão simples e profunda de São Francisco: o pobrezinho, como Dionísio, nos diz que no final o amor vê mais que a razão. Onde está a luz do amor, as trevas da razão se desvanecem; o amor vê, o amor é um olho e a experiência nos dá muito mais que a reflexão. Boaventura viu em são Francisco o que significa esta experiência: é a experiência de um caminho muito humilde, muito realista, dia a dia, é caminhar com Cristo, aceitando a cruz. Nesta pobreza e nesta humildade, na humildade que se vive também na eclesialidade, dá-se uma experiência de Deus que é mais elevada que a que se alcança através da reflexão: nela, realmente tocamos o coração de Deus.
Hoje, Dionísio Areopagita tem uma nova atualidade: apresenta-se como um grande mediador no diálogo moderno entre o cristianismo e as teologias místicas da Ásia, cuja característica está na convicção de que não se pode dizer quem é Deus; d’Ele só se pode falar com formas negativas; de Deus só se pode falar com o «não», e só é possível alcançá-lo quando se entra nesta experiência do «não». E aqui se vê uma proximidade entre o pensamento do Areopagita e o das religiões asiáticas: ele pode ser hoje um mediador, como foi entre o espírito grego e o Evangelho.
Deste modo, vê-se que o diálogo não aceita a superficialidade. Precisamente quando se entra na profundidade do encontro com Cristo, abre-se também o amplo espaço para o diálogo. Quando se encontra a luz da verdade, percebe-se que é uma luz para todos; desaparecem as polêmicas e é possível entender-se mutuamente ou ao menos falar um com o outro, aproximar-se. O caminho do diálogo consiste precisamente em estar perto de Deus em Cristo, na profundidade do encontro com Ele, na experiência da verdade, que nos abre à luz e nos ajuda a sair ao encontro dos demais: a luz da verdade, a luz do amor. Afinal, ele nos diz: tomai o caminho da experiência, da experiência humilde da fé, cada dia. Então, o coração se torna grande e pode ver e iluminar também a razão para que veja a beleza de Deus. Peçamos ao Senhor que nos ajude também hoje a pôr ao serviço do Evangelho a sabedoria de nosso tempo, descobrindo de novo a beleza da fé, o encontro com Deus em Cristo.
[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri
© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]
Via: ZENIT.org
He was a natural motivator.
If an employee was having a bad day, John was there telling the
employee how to look on the positive side of the situation.
Seeing this style really made me curious, so one day I went up and
asked him, ‘I don’t get it!
You can’t be a positive person all of the time. How do you do it?’
He replied, ‘Each morning I wake up and say to myself, you have two
choices today. You can choose to be in a good mood or … you can
choose to be in a bad mood
I choose to be in a good mood.’
Each time something bad happens, I can choose to be a victim or…I
can choose to learn from it. I choose to learn from it.
Every time someone comes to me complaining, I can choose to accept
their complaining or… I can point out the positive side of life. I
choose the positive side of life.
‘Yeah, right, it’s not that easy,’ I protested.
‘Yes, it is,’ he said. ‘Life is all about choices. When you cut away
all the junk, every situation is a choice. You choose how you react to
situations. You choose how people affect your mood.
You choose to be in a good mood or bad mood. The bottom line: It’s
your choice how you live your life.’
I reflected on what he said. Soon hereafter, I left the Tower Industry
to start my own business. We lost touch, but I often thought about him
when I made a choice about life instead of reacting to it.
Several years later, I heard that he was involved in a serious
accident, falling some 60 feet from a communications tower.
After 18 hours of surgery and weeks of intensive care, he was released
from the hospital with rods placed in his back.
I saw him about six months after the accident.
When I asked him how he was, he replied, ‘If I were any better, I’d be
twins…Wanna see my scars?’
I declined to see his wounds, but I did ask him what had gone through
his mind as the accident took place.
‘The first thing that went through my mind was the well-being of my
soon-to-be born daughter,’ he replied. ‘Then, as I lay on the ground,
I remembered that I had two choices: I could choose to live or…I
could choose to die. I chose to live.’
‘Weren’t you scared? Did you lose consciousness?’ I asked
He continued, ‘..the paramedics were great.
They kept telling me I was going to be fine. But when they wheeled me
into the ER and I saw the expressions on the faces of the doctors and
nurses, I got really scared. In their eyes, I read ‘he’s a dead man’.
I knew I needed to take action.’
‘What did you do?’ I asked.
‘Well, there was a big burly nurse shouting questions at me,’ said
John. ‘She asked if I was allergic to anything ‘Yes, I replied.’ The
doctors and nurses stopped working as they waited for my reply. I took
a deep breath and yelled, ‘Gravity’.’
Over their laughter, I told them, ‘I am choosing to live. Operate on
me as if I am alive, not dead.’
He lived, thanks to the skill of his doctors, but also because of his
amazing attitude… I learned from him that every day we have the
choice to live fully.
Attitude, after all, is everything.
Therefore do not worry about tomorrow, for tomorrow will worry about
itself. Each day has enough trouble of its own.’ Matthew 6:34.
After all today is the tomorrow you worried about yesterday.