Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Como o orvalho

Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano.
Seus ramos hão de estender-se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano.
Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano.

Os. 6-8
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Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

Coração surdo, coração aberto

Coração surdo, boca petrificada. Porque é, às vezes, a tanto custo que dizemos o belo e o bem no dia a dia? (...) Creio, Senhor, que tu salvas aquele que de coração aberto procura o teu olhar.

Jacques Neuviarts, in Croire.com


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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Abrir-se


(...) En fait, il faudrait essayer d’inverser les choses : le Carême, ce n’est pas de tenir, ni de retenir, c’est au contraire d’ouvrir, de laisser la Vie nous envahir, nous traverser et nous transformer, pour qu’elle se répande autour de nous. Alors la vie peut nous convertir, opérer en nous un retournement qui nous fait retrouver la Source qui nous habite.(...)

Marie-David, abadessa, Abadia de Notre-Dame de Jouarre
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Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Laicidade, laicismo

As eleições que se aproximam tanto em Espanha como em Itália têm feito vir ao de cima o debate sobre o lugar da Igreja Católica e, mais geralmente, das religiões, na sociedade. Disso dava conta, ainda ontem, o jornal católico francês La Croix. Mas é precisamente em França que a questão tem vindo a adquirir centralidade na agenda política, não por uma qualquer movimentação das instituições religiosas mas, curiosamente, por indução do assunto feita em sucessivas intervenções pelo presidente da República daquele país, Nicolas Sarkozy. A ponto de o jornal Libération ter feito, hoje mesmo, manchete do tema (cf. gravura) alinhando num movimento de contestação à política presidencial, organizado por sectores laicistas que terão reunido já mais de cem mil asinaturas. Também em Portugal, ainda que não de forma extremada, aflorou algum debate sobre esta matéria, não há muito tempo e o tema mantém-se, digamos, em 'banho-maria', ainda que com um déficit de debate.

Cf. do jornal La Croix:
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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

tesouro

E como com o pão ou com a água da nascente, partilhada na viagem, partilharei o tesouro. Para que todos dele usufruam.
Jacques Nieuviarts, in Croire.com
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Coro Anima Mea

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Domingo, Fevereiro 24, 2008

Deus não está anexado ao templo


" [...] textos como o do profeta Miqueias, meditado na Missa de ontem: "Qual é o deus semelhante a Vós que perdoa o pecado e absolve a culpa deste resto da vossa herança? Não guarda para sempre a sua ira, porque prefere a misericórdia. Ele voltara a ter piedade de nós, pisara aos pés as nossas faltas, lançara para o fundo do mar todos os nossos pecados." É, no entanto, uma parábola do Evangelho de S. Lucas, também proclamada ontem, que constitui uma revolução teológica, isto é, uma alteração radical nas concepções de Deus. É a "parábola do filho pródigo". Esta designação corrompe o seu alcance mais profundo, pois não se parece nada com qualquer pedagogia exemplar, tanto para rebeldes como para bem-comportados. Surge, nesta parábola, como um "mau educador" em qualquer escola de pais. Aqui sim, pode-se falar de um bem-aventurado mau exemplo! Deus aura os seres humanos não pelo que eles fazem ou deixam de fazer, mas pela sua infinita, misteriosa, paradoxal e incompreensível bondade, com uma inclinação preferencial por todos os perdidos da história. Deus não sabe culpabilizar, mas perdoar, abrir o futuro.

3. Na Missa de hoje, é proclamado o grande Evangelho da revolução religiosa (Jo 4): Jesus e a samaritana, a mulher de mais de cinco maridos. Tendo em conta a mentalidade e a hostilidade religiosa entre judeus e samaritanos, tudo nessa história é explosivo: Jesus, um judeu, a falar a sós com uma mulher e, para mais, uma samaritana nada recomendável.
Adivinha a sua história, não para a repreender ou culpabilizar, mas para entrarem numa comunhão mística. Os próprios discípulos, com os seus preconceitos, não podiam compreender aquele comportamento.
O diálogo entre Jesus e a samaritana é uma grande referência para a teologia do diálogo intercultural e inter-religioso, para o papel das mulheres na descoberta da essência da religião e na arte da evangelização inculturada. Ela não só recebeu a revelação de que Jesus era o Messias esperado, como levou o próprio Jesus a ser reconhecido pelos seus concidadãos como o Salvador do mundo. É à samaritana que Jesus revela que Deus não está anexado nem ao Templo de Jerusalém nem ao Templo do monte de Samaria: "Os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade."
Ao contrário do que julga uma pastoral míope, o futuro do cristianismo depende, em primeiro lugar, da redescoberta da revolução teológica de Jesus de Nazaré."

Fr. Bento Domingues, in Público, 24.2.2008
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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

A tentação do ghetto

Sob o título "Tentación del “ghetto” en la Iglesia", escreve Juan Rubio, director da revista espanhola Vida Nueva:

El ghetto es hoy más un concepto que un lugar. Levanta su muro en la conciencia de grupos que se sienten perseguidos y que se vuelven perseguidores a la postre. El concepto empezó en la República de Venecia designando al barrio judío y la persecución nazi los hizo famosos. Más allá de la historia, su origen está en la idea de buscar un entorno ideal para quienes buscan la exclusividad y la seguridad en momentos de persecución social, económica o ideológica. Más que una necesidad hay veces que se vuelve tentación para la Iglesia que vive en una sociedad plural. Vivir en el ágora es reto apasionante, aún con riesgos. Vivir en el ghetto se vuelve placentero, aunque frustrante al fin. Hay ghettos por doquier y también en la Iglesia que gusta del refugio cuando se siente amenazada. El ghetto se vive como la respuesta a una amenaza y se convierte en amenaza propia. El miedo y el sentimiento de persecución han creado en la Iglesia grupos que se retro-alimentan y se auto-contemplan de forma narcisista viviendo en una cápsula de egotismo atroz. La Iglesia ha tenido que vivir condenada en ghettos a lo largo de su historia pero no ha hecho paradigma de ellos. Por su propia naturaleza es universal y no le encajan los ghettos. Cuando se crece en una Iglesia así, el ataque y la ignorancia de lo que no es propio del grupo se vuelve norma excluyente creando monstruos que devoran la comunión eclesial. Es una de las tentaciones más frecuentes en esta Iglesia que peregrina por el desierto de la libertad y que alguna vez añora el ghetto de Egipto bajo el látigo de Faraón.

A ras de suelo, Vida Nueva 16 - 22 de Fevereiro de 2008.

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Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

Jejum de imagens

Somos hoje atravessados, de facto, por uma imensidade de imagensque, nas ruas e nos centros comerciais nos vêm das montras e dos placares, imagens que nos invadem a casa, pela televisão, pelo vídeo, pelo computador, pelas consolas de jogos electrónicos, imagens que nos assaltam, quando vamos ao multibanco, e que nos avassalam, quando nos refugiamos nas salas de cinema ou quando experimentamos embarcar em sessões de realidade virtual.

Moisés Martins, 2003



" (...) vivemos em uma época na qual estamos inundados de palavras e imagens, tão numerosas e confusas que perdem seu valor e é difícil reconhecer nelas significados profundos», explica o Pe. Lombardi.

«Por este motivo, temos necessidade não só de um jejum corporal, mas talvez mais ainda de um ‘jejum’ de palavras e de imagens para voltar a encontrar o espaço do silêncio interior no qual podemos escutar a Palavra, a Palavra de Deus, a Palavra com ‘P’ maiúsculo», considera.

in Agência Zenit.org, a propósito da sugestão, lançada por Bento XVI, de um 'jejum de imagens'

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Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Raízes cristãs do feminismo

A propósito do 20º aniversário da carta Mulieris Dignitatem, de João Paulo II, realizou-se, há dias, e a esse propósito, um colóquio promovido em Roma pelo Conselho Pontifício para os Leigos, o qual, segundo o jornal franc~es La Croix "mostrou a dificulade da Igreja em se reapropriar de uma forma de feminismo".
Ler, a este propósito, o artigo do La Croix Des théologiennes sondent les racines chrétiennes du féminisme.
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