Segunda-feira, Maio 12, 2008

Um Caramel para o Líbano e um apelo do Papa

Sobre Beirute (Líbano), voltou a pairar o espectro da guerra civil. Aparentemente, a situação acalmou nas últimas horas, depois de quatro dias de combate, 37 pessoas mortas e 128 feridas. Durante o dia de domingo, o Exército passou a patrulhar as zonas antes ocupadas pelo Hezbollah. Mas em Tripoli, grupos armados pró-Governo e ligaos ao movimento xiita continuavam os confrontos.

Quem viu Caramel, o belo filme de Nadine Labaki, ou quem já ouviu a irmã Marie Keyrouz a cantar hinos de diferentes tradições cristãs e muçulmanas (basta fazer o link e ficar a ouvir um pequeno trecho de uma das suas canções), percebe que o Líbano merece mais, muito mais, do que ser palco de uma guerra que só interessa a terceiros.

Na alocução do princípio da tarde em Roma, o Papa Bento XVI tomou posição sobre o que se está a passar no país. De acordo com a Zenit, o Papa afirmou que só o diálogo, a compreensão e a busca de um compromisso razoável poderão salvar o Líbano e suas instituições, mergulhados na mais grave crise desde há 18 anos.

Este novo conflito declarou-se depois de o governo libanês ter decidido desmantelar a rede de comunicações do Hezbollah, o “Partido de Deus”, que chegou a controlar a maioria dos bairros muçulmanos da capital entre quinta e sexta-feira, após intensos confrontos com partidários da maioria parlamentar.

Ao rezar ao meio-dia o Regina Caeli na presença de 40.000 peregrinos, o Papa assegurou que seguiu “com profunda preocupação, nos últimos dias, a situação no Líbano, onde, ao estancamento da iniciativa política, se seguiu num primeiro momento a violência verbal e depois os confrontos armados, com numerosos mortos e feridos”.

“Considero hoje um dever exortar os libaneses a abandonarem toda a lógica de contraposição agressiva que causaria em seu país danos irreparáveis”, assegurou Bento XVI.

Segundo o bispo de Roma, “o diálogo, a compreensão mútua e a busca do compromisso razoável são o único caminho que pode restituir ao Líbano as suas instituições e à população a segurança necessária para uma vida quotidiana digna e cheia de esperança no amanhã”.

Citando João Paulo II, Bento XVI considerou que o Líbano tem a vocação “de ser para o Médio Oriente e para todo o mundo sinal da real possibilidade de pacífica e construtiva convivência entre os homens”.

As diferentes comunidades que o compõem, assinalou, são ao mesmo tempo “uma riqueza, uma originalidade e uma tarefa comum de todos seus habitantes”.

O Papa pediu aos crentes que implorem do Omnipotente “uma abundante efusão do Espírito Santo, o Espírito da unidade e da concórdia, que inspire em todos pensamentos de paz e de reconciliação”.

Escrito por RELIGIONLINE em 00:00:10 | Link permanente | Comments (0) |